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26.09.26 – 19.12.26

Paraíso relembrado

Partindo de memórias do Cariri, da infância, da religião e da cultura popular, Charles Lessa não representa essas experiências de forma fiel, mas as transforma em matéria de ficção. Nesse universo, anjos, cães, monstros, santos, demônios e corpos queer convivem sem hierarquias entre o sagrado e o profano, o belo e o estranho, o sonho e o pesadelo, a realidade e a fantasia. Charles mistura referências populares com internet, cultura pop, humor, deboche e imaginários futuristas.

 

“Paraíso relembrado” comemora os 10 anos de trajetória de Charles Lessa e apresenta a sua nova pesquisa sobre o realismo fantástico. Em sua produção recente, casas, cidades, corredores e labirintos ganham força, fazendo da arquitetura uma forma da memória e do inconsciente. Se antes Charles parecia inventar os personagens e habitantes de sua cosmologia, agora começa a construir também o mundo onde eles possam morar.

 

Paradoxalmente, esse novo mundo nasce através de uma poética da desfamiliarização. Em sua pesquisa, desfamiliar significa produzir uma distância em relação ao cotidiano e ao território recebido. Ao mesmo tempo que existe um movimento contrário: a necessidade de criar, pela ficção, um novo ambiente familiar. Desfamiliar o mundo conhecido torna-se uma maneira de construir um universo familiar por outros meios.

 

Charles desfamiliariza aquilo que conhece para construir outro universo possível. O Cariri e o sertão continuam presentes, mas não como paisagens a serem representadas. Tornam-se memórias e matérias para construção de uma mitologia própria. Como em um sonho, o artista absorve elementos da realidade e os devolve transfigurados. Por isso, até um vulcão, estranho à identidade cultural do Cariri, pode falar sobre esse território do ponto de vista subjetivo.

 

Dese modo, Charles pensa a pintura como uma forma de contar histórias. Suas imagens funcionam como micro-dramas em que memória e ficção se misturam. Casas, cidades e labirintos formam arquiteturas da memória: a casa pode ser inconsciente, o labirinto pode lembrar a estrutura da mente e a paisagem pode funcionar como autorretrato. O Cariri deixa de ser uma paisagem a representar e passa a ser matéria para inventar geografias impossíveis, onde casas, vulcões e chapadas funcionam como autorretratos de estados subjetivos.

 

As pinturas tornam-se, assim, uma espécie de palco mental. Arquitetura e cidade não organizam apenas espaços externos, mas estados internos. Uma pintura pode condensar a história inteira de um sonho em um único plano. Cenas simultâneas rompem a continuidade do tempo e aproximam a imagem da memória fragmentária. Nesse teatro mental, o cotidiano se transforma em um realismo fantástico, enquanto terror, sonho e pesadelo embaralham o dentro e o fora, o familiar e o infamiliar.

Bárbara Banida - Erotar - Curadoria de Lucas Dilacerda - Cave - Fotografia de Jorge Silves

25.07.26 – 12.09.26

Erotar

“Erotar” é a primeira exposição individual da artista Bárbara Banida, que, há mais de 10 anos, investiga modos de sobrevivência em ambientes adversos à potencialização da vida. Daí surge o seu fascínio pelas estratégias criadas pela natureza para sobreviver diante da devastação ambiental e, ao mesmo tempo, pelas práticas de resistência construídas por pessoas dissidentes para permanecerem vivas frente à violência estrutural da sociedade.

 

Em um mundo colapsado (marcado pelo preconceito e pelas mudanças climáticas), Bárbara recusa as narrativas pessimistas de fim do mundo (que acreditam que a vida na Terra está com os dias contados) e imagina outros futuros possíveis para a natureza e para as pessoas na contra-norma.

 

“Erotar” é um planeta em estado de regeneração, fabulado por Bárbara, no qual a vida nasce outra vez. Diferente de como a vida evoluiu na Terra, em Erotar a vida nasce livre, sem divisões entre os reinos minerais, vegetais e animais. Por isso, as obras de Bárbara parecem formas amnióticas em estado de nascimento, dançando um movimento de crescimento e expansão da matéria e do espírito.

 

Cada obra é um portal para Erotar. As suas esculturas em cerâmica são corpos dos seres alienígenas que habitam esse planeta; são criaturas híbridas, com anatomias aberrantes, abstratas e inclassificáveis, que resistem à captura do reconhecimento e da linguagem. Já as suas pinturas em óleo e em óxido de ferro são imagens das paisagens de Erotar, geografias ficcionais com cores surrealistas que emanam forças de germinação da vida.

Assombro - Rita Lessa - Curadoria de Lucas Dilacerda - Cave - Foto de Jorge Silvestre (1).jpeg

25.04.26 – 27.06.26

Assombro

Com uma produção de 50 anos, Rita Lessa (Belo Horizonte, MG, 1959) investiga a pintura como um portal de acesso ao irrepresentável, isto é, uma dimensão inconsciente que é anterior à subjetividade humana e que, portanto, escapa à linguagem.

 

Com uma mão descolonizada da representação, o seu traço livre se aproxima dos desenhos de criança, articulando impulsos primevos e signos selvagens. Por isso, as suas imagens habitam um limiar tênue entre a figuração e a abstração, entre o concretismo e a geometria livre, entre o belo e o grotesco, entre o estranho e o familiar.

 

A sua pesquisa articula diversos temas como arte povera, surrealismo, misticismo, erotismo, fantasmagoria e bestiário medieval. Suas imagens nascem do espanto primordial como o mundo, desse contato avassalador do sujeito com o fora. Podemos falar da obra de Rita menos pelo que vemos e mais pelo que ela nos provoca: um assombro. Algo nos pertuba. Algo nos transforma.

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24.03.26 – 18.04.26

Toda combustão leva ao desejo

Exposição coletiva em parceria com a instituição Porto Iracema das Artes com os artistas Bárbara Banida, Beatriz Benitez, bento ben leite, Hirlan Moura e Samuel Tomé.

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12.03.26 – 11.04.26

Corpus Hermeticum

A exposição apresenta a nova pesquisa da artista Nicolle Rocha em torno do hermetismo e da geometria sagrada. A artista investiga formas universais encontradas em diversas culturas, civilizações antigas, filosofias, tratados científicos, livros de ciência e de alquimia. Em suas obras, as formas criam esquemas mentais de interpretação da realidade e modos sensíveis de comunicação entre mundos.

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​Nesse sentido, a prática de Nicolle Rocha nasce menos de um projeto previamente calculado e mais de um processo intuitivo de escuta das formas e da matéria. A artista não desenha nem planeja rigidamente suas composições; as formas emergem no encontro entre água, pigmento e gesto, como se a pintura se tornasse um campo de impressão de pensamentos, intuições e forças mágicas.

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21.02.26 – 07.03.26

Insolação

A exposição “Insolação”, na Cave, é a primeira exposição individual de Mari Nagem no Ceará. Com curadoria de Lucas Dilacerda, a mostra apresenta um recorte da sua pesquisa “Direito à sombra”, desenvolvida na residência internacional “Mormaço: arte, clima e formas resilientes de viver nas cidades”, realizada por uma parceria entre as instituições Sony CSL - Rome e a Unifor, no contexto do S+T+ARTS. A residência busca um cruzamento entre arte, ciência, tecnologia e saberes ancestrais como forma de imaginar alternativas à crise ambiental. E, para isso, Mari investiga o aumento do calor e a sombra como tecnologia ancestral de resfriamento.

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​Portanto, na exposição, a luz não é apenas um raio de energia e calor, mas é também um signo para pensar o iluminismo e o seu projeto moderno de urbanização colonial, racional e de injustiça climática das cidades brasileiras. Diante desse contexto de excesso de luz que nos cega de tanto ver, a artista nos propõe observar a sombra como um gesto de resistência e fabulação de outras ecologias possíveis.

5. Vista da exposição _Céu da boca da noite_, de Gi Monteiro, com curadoria de Lucas Dilacerda. Foto de Jorge Silvestre.jpeg

13.01.26 – 28.02.26

Céu da boca da noite

“Céu da boca da noite” é a primeira exposição individual da artista Gi Monteiro, travesti negra que inscreve no tempo um fazer em arte como ferramenta política, para relembrar a relação que corpos negros e trans construíram com o mistério. Para isso, a exposição reúne um conjunto de pinturas, desenhos, tecidos, esculturas, fotografias e instalações que apresentam a pesquisa da artista sobre o escuro como possibilidade poética de liberdade.

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​Na obra de Gi Monteiro, o escuro não é ausência de luz, mas sim abundância de novas possibilidades de vida. Indo na contramão da tradição moderna, colonial e iluminista que acreditava na razão como uma luz que iluminava os objetos, tornando-os visíveis e transparentes ao controle do sujeito, a artista investiga o escuro como uma anti-matéria do mundo, isto é, como aquilo que foge da colonialidade, justamente porque é imprevisível, incognoscível e incomensurável. O escuro desmorona a soberania da visão e ativa outras sensorialidades, inventando assim novas formas de se relacionar com o mundo. Por isso, o escuro profundo é a gestação do impossível e o reencantamento do real.

Arqueologia da superfície - Cristina Vasconcelos - Curadoria de Lucas Dilacerda - Foto de Jorge Silvestre (1).jpeg

28.10.25 – 20.12.25

Arqueologia da superfície

“Arqueologia da superfície” é a primeira exposição individual da artista Cristina Vasconcelos. A sua poética se fundamenta em uma crítica à centralidade do humano e aos seus impactos no planeta. Por isso, na tentativa de descentralizá-lo, cada obra sua é um mapa de um mundo sem humanos, situado em um longínquo passado pré-histórico ou em um futuro pós-apocalíptico. Nessas obras, não vemos a presença de humanos, mas sim a manifestação do silêncio. Em oposição a um mundo onde imperam a velocidade e a produtividade, o trabalho de Cristina parece ir na contramão da humanidade, sugerindo mapas — não geográficos, mas espirituais — de um mundo em estado de repovoamento.

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​Por isso, os diversos materiais que compõem o seu trabalho — barro, areia, vidro, carvão, grafite, ferrugem, óxidos de ferro, aço, resina, concreto, acrílico, óleo, látex, silicone, borracha etc. — não são apenas materialidades técnicas, mas sim arquivos vivos que guardam a memória e a história de mundos desconhecidos. O verdadeiro trabalho da artista é o da escuta dos desejos da matéria, que não se comunica por palavras, mas sim por imagens que se manifestam de forma abstrata, espiritual e metafísica.

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12.08.25 – 20.09.25

Entremundos

Telma Gadelha pinta seres que vivem entre mundos: entre o terreno e o espiritual, entre a ordem e o caos, entre o sagrado e o profano, entre o ancestral e o contemporâneo. “Entremundos” é a sua primeira exposição individual e apresenta um conjunto de pinturas que tiveram início em resposta ao encantamento causado por imersões recentes no Cariri cearense.

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A poética da artista costura referências da arte medieval com o repertório da arte contemporânea, inventando um universo pictórico que é, ele mesmo, um entrelugar. As suas telas evocam a teatralidade das iluminuras, os ícones de santos, a arquitetura da devoção, mas tudo isso contaminado por signos populares, humor escatológico e crítica à história da colonização. Há aqui uma espécie de carnaval litúrgico, onde Fra Angelico encontra o careta do Cariri, e onde o céu e o inferno se confundem na mesma procissão.

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15.05.25 – 07.06.25

a cidade que houve quando o avião passou

Exposição individual do artista Marçal Athayde onde são apresentadas pinturas e objetos inspirados no poema "uma fotografia aérea" de Ferreira Gulla

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22.03.25 – 03.05.25

memória elementar

Exposição coletiva dos artistas Gi Monteiro, Júlio Jardim e Navegante Tremembé onde apresentam pinturas, desenhos e esculturas que abordam temas como ecologia e ancestralidade.

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28.11.24 – 18.01.25

mantra

Exposição individual do duo de artistas Acidum Project, apresentando a nova produção abstrata e escultórica de Terezadequinta e Robézio, que discutem temas como espiritualidade e proteção.

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22.08.24 – 19.10.24

delírio ardente

Cave inaugura o seu espaço expositivo com a exposição coletiva "delírio ardente" que conta com obras de 35 artistas.

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2023

uma dose de alegria pura e legítima

Exposição individual do artista Charles Lessa, com curadoria de Steve Coimbra, em parceria entre Cave, Garrido e Nós Galeria.

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2021

corpo satélite

Projeto Ocupa Cave com exposição individual do artista André Nódoa, com curadoria de Jared Domício.

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